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AEROTEC A-122A (T-23) UIRAPURU (ZARAPA)
Período de Utilização: 1970 a 1984
Quantidade:76
Fabricante:Aerotec S.A Indústria Aeronáutica - Brasil
Emprego: Treinamento Primário
Características: Monoplano, asa baixa, monomotor, biplace lado a
lado.
Matrículas FAB: T-23 0940 a 0999 e 1730 a 1745
Designação: T-23
A
proximidade do CTA ensejou a instalação de várias indústrias
aeronáuticas em São José dos Campos antes mesmo da criação da
Embraer. É o caso da sociedade Aerotec, fundada em 1962. Em junho de
1965, voava o protótipo do primeiro avião projetado pela empresa: o
Uirapuru.
Seguindo a
tradição de outras empresas aeronáuticas de médio porte que haviam
surgido no país, a Aerotec iniciou suas atividades desenvolvendo um
avião de treinamento primário. O Uirapuru é um monomotor metálico de
asa baixa, dois lugares e motor Lycoming de 160 cavalos. Tendo
construído dois protótipos e realizado ensaios em vôo, a Aerotec
buscou e obteve uma encomenda do Ministério da Aeronáutica.
Em outubro de 1967, foi contratada a construção
de 30 dessas aeronaves para a substituição dos aparelhos T-21 e T-22
na instrução primária de pilotos militares. Posteriormente, a
Aerotec obteve nova encomenda de 40 aeronaves, conseguindo ainda
exportar 18 aparelhos para a Bolívia e o Paraguai.
Depois de quinze anos de existência, a empresa
chegou a empregar trezentos funcionários, produzindo partes e peças
para o avião agrícola Ipanema e também para os aviões da linha Piper,
todos fabricados pela Embraer. Mas o fim do contrato com o
Ministério da Aeronáutica lançou a empresa numa séria crise
financeira.
A Aerotec havia produzido 130 aviões
“Uirapuru”, 100 dos quais para o mercado militar brasileiro. O
mercado civil e o mercado externo não eram suficientes para oferecer
rentabilidade à companhia, que se viu na contingência de demitir
dois terços de seus funcionários.
A Aerotec decidiu então projetar um novo e mais
moderno avião de treinamento primário, que pudesse substituir o
Uirapuru na Academia da Força Aérea.
Em 1979, o Ministério da Aeronáutica contratava a empresa para realizar o
projeto do novo avião e, em março de 1981, a aeronave realizava seu
primeiro vôo. Denominado Tangará, o avião era um monomotor metálico
para treinamento, dotado de motor Avco Lycoming de 160 cavalos.
Mas o Ministério da Aeronáutica não realizou encomendas do aparelho à
empresa, que a partir de então se limitou a produzir partes e peças
para a Embraer.
CESSNA 318 A (T-37C)
TWEETY BIRD
Período de Utilização:
1967 a 1981
Quantidade: 65
Fabricante: Cessna Aircraft Company - USA
Emprego: Treinamento avançado.
Características: Monoplano, asa baixa, bireator, biplace lado a lado.
Matrículas FAB: T-37 0870 a 0934
Designação: T-37.
(Repassados à Coréia do Sul e ao
Paraguai)
Conhecido como
Tweety Bird, Tweet, Dragonfly (FAB) ou
Super Tweet, o Cessna T-37/A-37 é uma das mais bem
sucedidas aeronaves do tipo treinador de ataque. Esta aeronave
bi-reatora leve voou por décadas como treinador primário da
Força Aérea dos Estados Unidos - USAF, e contribuiu com
distinção nas missões de ataque realizadas durante a Guerra do
Vietnã. O T-37/A-37 também prestou, e ainda presta, uma
significativa gama de serviços em Forças Aéreas de outras
nações.
O T-37, durante um bom
período, era a única aeronave da Cessna em serviço nas FFAA
dos EUA. Ela proporcionava aos “novatos” a experiência
necessária antes de partir para o Northrop T-38 Talon ou o
Beech T-1A Jayhawk. Mais de 1.000 aeronaves deste tipo foram
construídas e um bom número delas ainda se encontra em serviço
nas diversas Forças Aéreas.
Origem: Modelo
318 (XT-37)
A Cessna Aircraft Company em
Wichita, Kansas, conquistou uma excelente reputação no
Exército dos EUA durante a Segunda Guerra Mundial com a
utilização de suas aeronaves de observação e de transporte
leve, em especial com a série "O-1 Bird Dog".
Na primavera de 1952, a USAF
distribuiu para a indústria aeronáutica um pedido de
desenvolvimento de um Treinador Experimental (Programa TX),
especificando que este deveria ser um treinador básico e leve
de dois assentos que se destinaria a preparar os cadetes para
a pilotagem de aeronaves a jato.
A Cessna respondeu ao programa
TX com um projeto de aeronave a jato com assento lado a lado.
A USAF gostou do projeto da Cessna, designado como "Modelo
318" pela empresa, particularmente da concepção do assento
lado a lado que permitiria uma melhor interação
cadete/instrutor do que os assentos em tandem (um atrás do
outro). Na primavera de 1954, a USAF contemplou a Cessna com
um contrato para três protótipos do Modelo 318 e outro, em
separado, para uma aeronave destinada a testes estáticos. A
USAF escolheu a designação de XT-37 para a aeronave.
O primeiro XT-37
realizou o vôo inicial em outubro de 1954. A aeronave
apresentava asa baixa, motores “embutidos” nas raízes das
asas; uma capota que abria verticalmente para trás; um layout
dos controles muito semelhante às aeronaves em uso na USAF;
assentos ejetáveis; e trem de pouso do tipo triciclo com um
raio de curva de 4.3 m (14 ft).
O raio de curva e o comando
direcional da bequilha a partir de um “volante” na cabina
fizeram a aeronave facilmente manobrável no solo. Além disso,
o trem de pouso baixo eliminou a necessidade de escadas de
acesso à aeronave e plataformas de serviço. A aeronave foi
projetada para ser de manutenção simples, apresentando mais de
cem painéis de acesso e portas. Uma equipe de manutenção
experiente, por exemplo, poderia trocar um dos motores em
aproximadamente meia hora.
O XT-37 era aerodinamicamente
muito limpo, motivo pelo qual foi instalado um freio
aerodinâmico atrás da porta da bequilha para reduzir a
velocidade de aterrissagem. O XT-37 era equipado com painéis
articulados que se distendiam quando o trem de pouso estava em
baixo, os quais preveniam a ingestão de objetos estranhos
pelos motores, em conseqüência das entradas de ar muito
próximas do solo.
O XT-37 era equipado com duas
turbinas Continental-Teledyne J-69-T-9 com 4,1 kN (920 lbf) de
potência cada uma, as quais eram, na realidade, construídas
sob licença da francesa Turbomeca Marboré. Os motores
incorporavam defletores de potência para permitir que
permanecessem acelerados durante as aproximações, de modo a
realizar pousos curtos e arremetidas seguras caso algo
ocorresse de errado. O peso total do XT-37 era 2,27 ton (5.000
lb).
Os testes demonstraram que o XT-37
atingia uma velocidade máxima de 630 km/h (390 mph) em
altitude, com um alcance de 1.500 km (935 milhas). A aeronave
era não pressurizada e, em conseqüência, limitada a um teto
operacional de 7,6 km (25.000 ft), de acordo com o regulamento
da USAF.
O protótipo inicial sofreu um
acidente em vôo durante os testes de entrada e saída em
parafuso. Os protótipos seguintes incorporaram modificações
para melhorar o controle em vôo, inclusive uma espécie de
“aba” ao longo do nariz e um novo desenho da cauda que ficava
mais comprida. Após estas modificações, a USAF considerou a
aeronave aceitável para suas necessidades e determinou a
produção em série da mesma, já com a designação de T-37A.
T-37A, T-37B, T-37C
O T-37A era semelhante ao
protótipo XT-37, com algumas modificações para corrigir
pequenas falhas apresentadas durante o programa de teste em
vôo. O primeiro T-37A de série foi concluído em setembro de
1955, realizando seu primeiro vôo ainda naquele ano e sendo
entregue para a USAF em junho de 1956. A USAF começou o
treinamento dos cadetes no T-37A em 1957.
Os instrutores e cadetes
consideraram o T-37A uma aeronave extremamente agradável para
voar: fácil de manobrar, ágil e que respondia bem aos
comandos, entretanto era definitivamente submotorizado. O
T-37A era capaz de realizar todas as tradicionais manobras
acrobáticas.
O T-37A tinha uma notória
desvantagem: era muito ruidoso, até para os padrões de
aeronave a jato. O fluxo de entrada de ar em seus pequenos
turborreatores emitia um ruído agudo que o levou a ser
descrito por alguns como "Screaming Mimi" e a ser chamado de
“6.000 pound dog whistle” ("Apito para chamar cachorro de
6.000 lb"). Seu característico apito forte e penetrante logo
lhe deu o nome oficial de "Tweety Bird" ou simplesmente "Tweet".
A USAF encomendou 444 T-37A,
sendo o último produzido em 1959. Durante 1957, o Exército dos
EUA avaliou três T-37A para observação de campo de batalha e
outras tarefas de apoio ao combate, mas acabou por escolher o
Grumman OV-1 Mohawk para a missão.
O T-37A agradou à USAF mas
havia a restrição quanto ao mesmo ser submotorizado. Em função
disto, foi encomendada uma versão melhorada, a T-37B, com os
motores J-69-T-25. As novas turbinas forneciam um acréscimo de
mais ou menos dez por cento de potência e melhor
confiabilidade. Uma melhoria na aviônica também fazia parte da
nova versão.
O primeiro T-37B foi entregue
em 1959. Um total de 552 T-37Bs foram produzidos até 1973. Os
T-37A remanescentes foram modificados e atualizados
também de acordo com o padrão do T-37B.
Devido a uma série de
acidentes causados por colisões com pássaros entre 1965 e
1970, todos os T-37 receberam um novo pára-brisas feito de
policarbonato plástico de 12,5 mm de espessura. O novo
pára-brisas era capaz de tolerar o impacto de um pássaro de 1,8
kg (4 lb) a uma velocidade relativa de 460 km/h (288 mph).
Em 1962, a Cessna sugeriu a
substituição do North American F-100 Super Sabre dos
Thunderbirds - Esquadrilha de Demonstração da USAF, pelo
T-37B. O T-37B era comprovadamente um aeronave acrobática,
econômica para operação e apoio, e podia operar a partir de
pequenos aeródromos. Porém, a USAF estava satisfeita com os
F-100 e não se interessou em trocá-los pelos Tweet. (Sua
decisão anterior em trocar pelos F-105 Thunderchief tinha se
revelado desastrosa)
O T-37A e o T-37B não tinham
nenhum armamento embutido e nenhum ponto para se alojar
armamento externo. Em 1961, a Cessna começou o desenvolvimento
de uma pequena modificação no T-37 de modo a utilizá-lo como
aeronave de treinamento de ataque. A nova versão, a T-37C, foi
planejada para exportação, podendo ser usada para ataque leve.
O protótipo do T-37C era na
realidade um T-37B modificado. As principais modificações
incluíam asas reforçadas, com alojamento para colocação de
equipamento externo debaixo de cada asa, entre o trem de pouso
principal e a ponta da asa. O T-37C podia ser também equipado
com tanques de ponta de asa com capacidade de 245 L (65 US
gallons) cada um, os quais poderiam ser alijados em caso de
emergência.
Foi acrescida uma máquina para
crítica-foto computadorizada. Os T-37C podiam ser também
equipados com um kit de reconhecimento fotográfico na
fuselagem.
O armamento primário do T-37C
era montado num pod de múltipla utilidade da General Electric,
que era capaz de levar uma metralhadora 12,7 mm (Cal. 0.50)
com 200 cartuchos; dois pod’s para foguetes 70 mm (2,75 pol);
e quatro bombas de treinamento. Outros armamentos, como pod’s
de foguetes ou até mísseis ar-ar Sidewinder, podiam ser
levados também.
As modificações aumentaram o
peso do T-37C em 650 kg (1.430 lb). Como os motores não foram
melhorados, a velocidade máxima foi reduzida para 595 km/h
(370 mph), entretanto os tanques de ponta de asa aumentaram o
alcance máximo para 1.770 km (1.100 milhas).
Os T-37 mais novos e os
antigos da USAF serviram a diversas Forças Aéreas, inclusive:
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Alemanha
Oriental |
47 T-37B (Todos operados
nos EUA com matrículas da USAF) |
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Brasil |
65 T-37C (30 transferidos
para a Coréia do Sul e 12 para o Paraguai) |
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Burma |
12 T-37C |
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Cambodja |
04 T-37B |
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Chile |
32 T-37 (20 T-37B e 12
T-37C) |
|
Colômbia |
14 T-37 (04 T-37B e 10
T-37C) |
|
Coréia do Sul |
25 T-37C (Excluindo os 30
comprados do Brasil) |
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Grécia |
32 T-37 (08 T-37B e 24
T-37C) |
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Jordânia |
15 T-37 (Provavelmente
ex-USAF T-37B) |
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Paquistão |
63 T-37 (24 T-37B e 39
T-37C) |
|
Peru |
32 T-37B |
|
Portugal |
30 T-37C |
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Vietnã
do Sul |
24 T-37B |
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Tailândia |
16T-37 (10 T-37B e 06
T-37C) |
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Turquia |
50 T-37C |
A Força Aérea Portuguesa
usou o T-37C como a aeronave primária para a sua Esquadrilha
de Demonstração - Asas de Portugal, a partir de 1977,
realizando centenas de shows por toda a Europa.
A produção dos T-37 terminou
em 1975. Os registros dão conta de mais de 273 T-37C
exportados. Sem considerar 444 T-37A e 552 T-37B, num total de
1.269 aeronaves produzidas.
A aeronave permaneceu em
serviço na USAF até o século 21, tendo sobrevivido a várias
tentativas de substituição. Porém, o Tweet agora está sendo
desativado e substituído pelo turboélice Raytheon T-6A Texan
II (uma aeronave turboélice com mais potência e aviônica
moderna), sendo “aposentado” depois de mais de quatro décadas
de inestimáveis serviços prestados.
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